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segunda-feira, agosto 11, 2014

Resenha "Uma noite em Curitiba" de Cristovão Tezza



Cristovão Tezza: mais um dos autores cujo nome posso riscar da minha lista de futuras leituras essenciais. Difícil não ter ouvido falar do seu livro mais renomado, O Filho Eterno, o qual tem previsão de, ainda neste ano, começar a ser adaptado para o cinema. Porém, mais do que a curiosidade de ler um autor nacional renomado, eu tinha a curiosidade de ler algo de um autor local. Apesar de nascido em Santa Catarina, Tezza veio para Curitiba ainda pequeno e passou boa parte da sua vida por aqui - ele, inclusive, lecionou na Universidade Federal do Paraná, onde hoje estudo (até deu aula para o curso de Comunicação Social). Logo, escolhi começar por Uma noite em Curitiba simplesmente por culpa do título. Precisava começar por algum lugar, por que não Curitiba?

"A vida é desagradável justamente pelos seus aspectos mais cantados pelos poetas: o imprevisível, o difuso, o inexplicável, o incontrolável, o indefinível. Nada disso me interessa."

"Escrevo este livro por dinheiro". Já na primeira linha do romance, a existência do livro é justificada por seu narrador sem nome: o filho do professor e historiador Frederico Augusto Rennon, protagonista desse romance misto. O livro é formado por cartas escritas por Frederico destinadas a Sara Donovan, uma famosa atriz e antiga paixão de Frederico, além de comentários de seu filho a respeito da vida do pai, em especial o relacionamento deste com a atriz, supostamente o motor de toda a trama. Contudo, a relação entre Frederico e Sara, muito explorada por meio das cartas compiladas, é apenas um dos fatores que influenciam no objetivo geral do romance: tratar da relação entre Frederico e seu filho, o qual é tido como um inútil, mas que mesmo assim não consegue manter-se indiferente em relação ao pai, como este o faz em relação ao filho.

A trama familiar desenvolvida no livro, admito, não foi o que chamou a minha atenção - não consegui criar um vínculo com o enredo, mas o fiz quanto aos personagens e, claro, o espaço. Foi impossível não me deixar envolver por uma história ambientada em locais que fazem parte da minha rotina, tais quais a Reitoria da UFPR, o teatro Guaíra. Esse detalhe potencializou a impressão que tive quanto a construção dos personagens: absurdamente reais. Era como se a qualquer momento eu pudesse topar com o professor Rennon na rua. A sua essência na escrita, suas características físicas, sua personalidade, todas as marcas do professor Rennon soaram tão fortes e verídicas que comprei a ideia de Frederico Augusto Rennon já em poucas páginas. A última vez que tive essa sensação foi ao ler "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón - mas dessa vez não cometi o ingênuo ato de pesquisar se o personagem (na época, Julián Carax), de fato, existia, tamanho era meu envolvimento com o personagem! Contudo, a história não conseguiu exercer o mesmo efeito sobre mim. A impressão final que tive assemelha-se àquela de ter uma conversa com pessoas interessantes, mas sem ter genuíno interesse numa história em particular a qual está sendo narrada. O que me incomodou na história? Penso que o romance em si. Aquela minha picuinha particular em relação a discursos muito apaixonados - talvez já os tenha lido em demasia nos livros juvenis, e encontrei um paralelo dos discursos melosos nos personagens cinquentões de "Uma noite em Curitiba". Fora isso, não sei exatamente o que apontar para explicar minha quase indiferença quanto ao romance narrado pelas cartas, o que se contrapõe ao genuíno interesse que tive quanto aos personagens. Mas os capítulos são curtos, a narrativa é gostosa, então não deu tempo de cogitar empacar na história.

Uma noite em Curitiba foi publicado em 1995, mas ganhou nova edição pela editora Record no primeiro semestre de 2014. Todos os livros de Tezza estão sendo relançados num mesmo padrão editorial, o qual está de parabéns! Margens legais, papel bom (off-white), fonte grande com um ótimo espaçamento e capas simples, contudo mil vezes melhores do que as da primeira edição. Fico feliz em ter outro livro do Tezza, "O Professor", esperando para ser lido aqui na minha estante. Fico na expectativa de encontrar personagens tão bem construídos, mas uma história pela qual eu fique mais interessada.

Editora: Record | Páginas: 240 | ISBN: 9788501404312 

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quarta-feira, julho 30, 2014

Resenha "Sentimento do Mundo" de Carlos Drummond de Andrade


Não sei se é um estado permanente, mas posso afirmar que, hoje, sou uma leitora egoísta, ao menos no que diz respeito a poesia. Leio para encontrar alívio, conforto, leio quando estou inquieta demais - poesia funciona como espécie de injeção concentrada que cura os males da alma. Relativamente poucas são as palavras, as quais muito têm a dizer. Tenho uma imagem clara de como a minha leitura egoísta funciona: é como se meus sentimentos e pensamentos mais íntimos fossem códigos, vários e vários códigos. E a poesia consegue traduzir esses códigos em palavras. Logo, quando leio poesia, é como se as palavras lidas fossem espelhos, os quais deixam refletir (e que me fazem refletir!) sobre os sentimentos e pensamentos que eu e o poema em questão temos em comum. Às vezes esses espelhos refletem sentimentos os quais eu nem imaginava possuir e, dessa forma, cada leitura é uma descoberta. Não poderia ter sido diferente com Sentimento do Mundo, o terceiro livro do meu poeta favorito, Carlos Drummond.

Não, meu coração não é maior que o mundo. / É muito menor./ Nele não cabem nem as minhas dores. / Por isso gosto tanto de me contar.

Sentimento do Mundo foi publicado em 1940, num contexto de meados da Segunda Guerra Mundial. Dos quatro livros que li de Drummond, senti que este foi o mais fácil de identificar um tema comum, um sentimento comum, e relacioná-lo diretamente com o contexto vivido pelo autor. Em minhas anotações, não raro encontro a palavra desilusão e desesperança, porque quase todos os poemas possuem essa aura - são sentimentos evidentes no livro, o mais triste livro de Drummond que li até o momento, e também o meu mais novo favorito. Com um vazio melancólico e falta de perspectiva, Drummond fala sobre um "mundo caduco", no qual "é preciso substituir nós todos". Mas, claro, o que é descrito não se aplica apenas à época em que se encontrava o autor - seus poemas tratam de temas políticos, guerra, morte, vida, mas sempre colocando o lado humano, sentimental, como guia para enxergar e refletir o mundo externo. Minha leitura, sempre com o ímpeto egoísta, conseguiu se relacionar profundamente com o pronome "nós" utilizado no livro, posto que ao tratar do Sentimento do Mundo, ele o faz desse modo que arrasta o leitor consigo, o qual partilha das palavras do autor como sendo uma verdade entre cúmplices. 

O presente é tão grande, não nos afastemos. / Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 

Sim, Drummond, vamos de mãos dadas. É exatamente assim que me sinto ao ler a poesia de Drummond, cujas palavras simples são complexas em significado, e não em gramática. Quero dizer que a linguagem não é um empecilho, o que não raro acontece na literatura de vários autores, detalhe que acaba espantando muitos leitores, especialmente os que (ainda) não estão familiarizados com poesia. Só me resta recomendar, e muito, a leitura deste meu novo livro favorito. Mais um livro de cabeceira, cujas palavras tristes irão servir-me de companhia quando eu precisar deixar que os sentimentos transbordem para fora de mim, tomando forma no papel, em palavras emprestadas - as palavras de Carlos Drummond. 

Confira as resenhas de outros livros do autor:
  

Editora: Companhia das Letras | Páginas: 88 | ISBN: 9788535921182

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segunda-feira, julho 14, 2014

Sobre preconceito literário


Alô, pessoal! O post de hoje faz parte de um projeto chamado "Não julgue um livro pelo preconceito", idealizado pela Mareska do Eu li, e agora?. Ela convidou outros seis blogs para participarem do projeto (o Ninhada é um deles, olar), o qual consiste em publicar algo a respeito de qualquer tipo de preconceito literário (ah, são tantos!). Eu escolhi falar a respeito do preconceito contra livros nacionais, com foco nos clássicos e nos juvenis. Para conferir os outros posts lindões da galera que está participando do projeto, basta acessar os links durante esta semana (de 14/07 a 20/07):


A ideia por trás da semana "Não julgue um livro pelo preconceito" é mostrar que não vale a pena julgar um livro se baseando apenas no gênero a que ele pertence, nem julgar uma pessoa pelo que ela lê. Achar um livro uma porcaria é um direito de todo mundo, mas achar que alguém só lê porcaria porque gosta de um gênero que você acha bobagem é preconceito. Queremos que as pessoas saiam da zona de conforto literária e desconstruam/entendam os próprios preconceitos.




Gosto de clima de copa, não posso negar. Acho engraçado o fato de todo o país ter um mesmo compromisso marcado, todo mundo correndo para encontrar com os amigos, família ou só a TV mesmo (e o Twitter) para assistir aos jogos do Brasil. A sensação de ouvir a vizinhança inteira tremendo ao mesmo tempo e gritando gol é sensacional -  para mim, só perde para a torcida que cantou, em coro e a plenos pulmões, eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor nos estádios, contagiando o pessoal que estava acompanhando o jogo pela televisão. Mas se no esporte é comum gritarmos aos quatro ventos que temos orgulho de quem nos representa, não vejo o mesmo ocorrer no âmbito da literatura. O que é absurdamente triste.

Ainda há um preconceito considerável em relação a literatura nacional. Aliás, desde cedo já criamos certa resistência a ela. No colégio, é raro que haja atividades que envolvam a leitura como prazer antes de envolvê-la com outro tipo de atividade, como a análise formal de uma história/texto. E é aí que aparecem as leituras obrigatórias, normalmente clássicos da literatura nacional, os quais lemos (quando lemos) sem vontade, interesse ou atenção. Se não somos estimulados em casa a gostar de ler, no colégio a situação fica ainda pior - se não pegamos certo asco pela leitura em si, o pegamos pelos clássicos nacionais. Claro que isso não é regra, mas também não é exceção, como bem podemos observar nas salas de aula e até mesmo nos comentários que recebo aqui no blog. O problema é que muitos guardam esse trauma para a vida, e há quem esqueça de questioná-lo tempos depois e, ainda, o estenda para todos os âmbitos declarando simplesmente: eu não gosto de literatura nacional. Por quê? Porque é nacional.

O preconceito fica ainda mais intenso quando tratamos de literatura nacional juvenil. Isso porque a literatura juvenil por si só, independente do país de origem, é normalmente taxada como fútil e de péssima qualidade. Há quem acredite que os livros juvenis carecem de um nível supostamente mínimo de complexidade, o que, por sua vez, não lhes dá a capacidade de promover reflexões ou qualquer estímulo ao intelecto. Espero que, como eu, você pense que tudo isso é uma grande besteira, em todos os sentidos (até porque ler por puro prazer também não deveria ser considerado um pecado). Mas foram comentários desse teor que li, por exemplo, quando a revista Veja publicou uma capa que fazia referência ao livro "A Culpa é das Estrelas" do autor John Green. Além de juvenil, o livro é bestseller e virou filme (ou seja, é popular!), o que aparentemente serviu de motivo para que os pseudointelectuais dissessem coisas como: "Esse tipo de literatura emburrece. Os jovens deveriam ler Machado de Assis!". Uma coisa é você não gostar do livro - afinal, existem juvenis ruins? Claro, existem livros ruins. Outra coisa é você dizer que esse tipo de literatura (perceba o quão generalizado é isso), além de não acrescentar nada na vida de alguém, faz exatamente o seu oposto.

Resolvi, então, indicar para vocês alguns livros. Clássicos e contemporâneos, adultos e juvenis - mas todos nacionais. Porque precisamos parar com essa mania de pensar que tudo o que é de fora é melhor, especialmente no âmbito cultural. Não existem argumentos que sustentem essa xenofobia ao avesso, que discrimina a literatura nacional apenas por ser nacional, como se a nossa produção cultural fosse inferior. O problema não é desgostar de um livro, nacional ou estrangeiro - obviamente. O problema é deixar de lê-lo por culpa disso, como se ser nacional fosse uma característica negativa, um porém. E acredito que esse seja um preconceito relativamente fácil de ser abolido: basta que as pessoas percebam o óbvio, ou seja, que nacionalidade e qualidade literária são coisas absolutamente diferentes. Agora, vamos lá! Escolhe abaixo um quadradinho que contenha uma micro-descrição de um livro que você acha que se enquadra no seu gosto, e você será redirecionado para a resenha do respectivo. Vai que você se interessa pelo livro? Pode ser sua próxima leitura :)





segunda-feira, junho 30, 2014

Um filme por semana - Junho


Ok, este post é a prova viva de que meu projeto deu resultado - ao invés de assistir a quatro filmes, acabei assistindo oito. E o melhor de tudo é que eu não me senti obrigada/pressionada a assisti-los! A verdade é que descobri o quão divertido pode ser ir ao cinema, mas escreverei sobre isso mais tarde. Agora quero comentar brevemente a respeito dos filmes do mês, sim!



Filme: Malévola (2014)
Diretor: Robert Stromberg
Sinopse: "Baseado no conto da Bela Adormecida, o filme conta a história de Malévola (Angelina Jolie), a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, esta garota com chifres e asas mantém a paz entre dois reinos diferentes, até se apaixonar pelo garoto Stefan (Sharlto Copley). Os dois iniciam um romance, mas Stefan tem a ambição de se tornar líder do reino vizinho, e abandona Malévola para conquistar seus planos. A garota torna-se uma mulher vingativa e amarga, que decide amaldiçoar a filha recém-nascida de Stefan, Aurora (Elle Fanning). Aos poucos, no entanto, Malévola começa a desenvolver sentimentos de amizade em relação à jovem e pura Aurora."


Comentário: Minha relação com MALÉVOLA foi um tanto contraditória. Ao mesmo tempo em que amei a história, especialmente as alterações feitas em relação à história tradicional da Bela Adormecida, não gostei do aspecto visual do filme e da atuação (salvo a sensacional Angelia Jolie). Eu que já não sou muito fã de efeitos especiais, fiquei particularmente incomodada com a quantidade deles - mas levando em conta que o filme é, a princípio, infantil, o público alvo deve discordar dessa minha opinião! Outro aspecto visual que eu não gostei foi o 3D, absolutamente decepcionante e descartável. Tudo isso colaborou para que o sentimento que prevalecesse ao sair do cinema fosse "eu gostaria de ter lido este filme", sabe? Assim eu teria aproveitado melhor a história (a qual gerou umas reflexões bem legais na internet, tais quais a desse texto) e criado a minha própria versão visual.
sábado, junho 14, 2014

Mudanças no Ninhada


Alô, pessoas! Então, creio que vocês já tenham notado a maioria delas, mas ainda assim quis gravar um vídeo para falar a respeito e "oficializar" as mudanças, sabe?





sexta-feira, junho 13, 2014

Resenha "Princesa Adormecida" de Paula Pimenta


Paula Pimenta é uma romântica incorrigível (The Sims feelings). Qualquer um que já tenha lido algum de seus livros, seja ele qual for, consegue reconhecer essa característica inegável. Pegar um livro de Paula Pimenta é ter a certeza de ler um romance leve, que tem como máxima o clichê "o amor vence tudo". No geral, isso está longe de ser um defeito, apesar de eu não gostar muito, mas creio que em Princesa Adormecida esse teor romântico tenha ultrapassado os limites do que eu normalmente consigo ler. 

Áurea Roseanna Bellora, aos nove meses, sofreu uma tentativa de sequestro. A criminosa é Marie Malleville, antiga amiga do pai de Áurea, que não conseguiu superar perdê-lo, seu grande amor. Frustrada, Malleville declarou que não deixaria a pequena em paz - ou ela teria de "viver enclausurada (...) até se tornar adulta, ou morrer jovem", pelas suas mãos. Por isso, os pais de Áurea forjaram a sua morte e a enviaram para morar com três tios, os quais passaram a ter uma posição extremamente protetora em relação a Áurea. Mesmo assim, ela consegue conhecer seu príncipe - por telefone. Uma mensagem aleatória escrita em francês inicia um diálogo com um estranho garoto, o qual diz querer saber mais a respeito de Áurea. "Eu adoraria te conhecer. Pela foto, você parece muito bonita", foi uma das primeiras mensagens que Phil a enviou. Algumas (poucas) mensagens (piegas) depois, já estão apaixonados. Simples assim. 

Tal como sugere o nome, Princesa Adormecida é (ou deveria ser) um remake moderno do conto A Bela Adormecida. Mas não consegui enxergar modernidade na história além do ambiente e dos meios utilizados para narrá-la - celulares, computadores, enfim, tecnologia. Isso porque a história caminha com a mesma ingenuidade daquela que se passa no século XIX. Uma ingenuidade tão incrível e não condizente com os dias de hoje que torna a história implausível.


Sinceramente, muito me incomodou em Princesa Adormecida, começando pelos personagens. A protagonista, Áurea, não é nem um pouco questionadora, apesar de toda a sua vida ser uma incógnita. A postura extremamente protetora dos tios, a ignorância em relação ao que teria acontecido com seus pais - os mistérios são bem significativos, mas a protagonista simplesmente não questiona, apenas aceita (ou quando o faz, pára no primeiro "não vamos falar sobre" que recebe). Quanto ao mocinho, pouquíssimo é falado a seu respeito, tanto que mal tive tempo de conhecer o garoto, quem dirá me apegar minimamente ao personagem. E a vilã? Aparece cerca de duas vezes, uma no início, outra no final, mas supostamente é uma ameaça à espreita durante o livro inteiro. Fiquei com a impressão, então, de que tanto os personagens quanto a história em si é bastante rasa - o leitor não precisa fazer esforço algum para tentar compreender qualquer detalhe do enredo. É como se o leitor fosse subestimado. Creio que as 180 páginas do livro poderiam muito bem ter sido condensadas em um conto menor, pois dessa forma, a falta de detalhes poderia ser justificada e realmente adaptada para uma história mais concisa. 

A leitura foi rápida, mas motivada pela minha descrença. A cada página eu ficava mais incrédula com as situações criadas e com o comportamento dos personagens, que pareciam todos apoiar essa paixão completamente aleatória de Áurea. Uma psicóloga chegou a aconselhá-la a seguir em frente, marcar um encontro com o garoto desconhecido, mesmo que seus tios não lhe dessem permissão (algo completamente aceitável dadas as circunstâncias, não?) - afinal, o amor é o que importa e ela não poderia deixar essa oportunidade passar, porque "o moço pode, sim, desistir de esperar". Mesmo que o moço em questão fosse um cara o qual Áurea jamais viu e que conheceu por meio de uma mensagem enviada de um número desconhecido. Como vocês podem perceber, eu não consegui aceitar esse início de romance (nem o restante da história, sinceramente). Toda a ingenuidade que permeia o enredo tirou o potencial de trazê-lo próximo àquilo que eu consideraria a história de uma princesa moderna - a qual, aliás, pode buscar um amor, mas não necessariamente depender dele para ser feliz, como parece sugerir a história. Eu sei, apesar de moderno, a ideia continua sendo a de um conto de fadas. Mas ainda assim, fiquei decepcionada, porque esperava um conto de fadas com o qual eu conseguisse me identificar (a protagonista tem 16 e eu apenas 18!), uma história mais plausível, com um pezinho na realidade que me fizesse pensar, realmente, como seria a Bela Adormecida no século XXI. :(

Editora: Galera Record | Páginas: 180 | ISBN: 9788501034205 

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quarta-feira, junho 11, 2014

Resenha "A Escolha" de Kiera Cass


É o fim da Seleção. O reality show que contava com trinta e cinco garotas disputando pelo coração (e pela coroa) do príncipe Maxon Schreave agora conta com apenas quatro - e uma delas é America Singer. Apesar de ambos nutrirem sentimentos muito fortes um pelo outro, as palavras não proferidas pairam no ar e incitam a incerteza. Em suma, o mesmo drama que começou na metade do primeiro livro, A Seleção, é mantido até as últimas páginas do último, A Escolha, um dos fatores que fez com que eu terminasse a leitura, de certa forma, decepcionada. 

Comecei a ler a série A Seleção em novembro de 2012. Logo, faz mais de um ano que venho acompanhando America, Maxon e Aspen - o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque ao ler A Escolha, tive aquela sensação de estar voltando para um lugar conhecido, familiar. Pela primeira vez eu reparei que tinha todos os personagens e todo o ambiente da série montados com precisão na minha mente. Eu não havia reparado nisso até ler A Escolha, até perceber como o quarto de America, por exemplo, soava quase como um lugar real, porque a sensação era a de que eu já estivera lá e agora estava voltando. 

Mas esse período de quase um ano e meio entre a leitura do primeiro e do último volume também foi algo ruim. Isso porque a minha relação com as personagens e com a própria história, foi desgastada pelo tempo. Se eu tivesse lido a trilogia de uma só vez, provavelmente teria gostado mais do que como fiz, lendo em partes. Isso porque os três livros se completam como um só. Aliás, temo dizer que a série até ficaria melhor com somente dois livros.



No início da trilogia, imaginei que o triângulo amoroso seria apenas um dos componentes da história, não o principal. Apesar de o segundo livro da série, A Elite, deixar bem claro o peso do triângulo amoroso, eu ainda tinha esperanças de que alguma reviravolta resolvesse esse âmbito e abrisse espaço para os conflitos que englobam o mundo distópico e problemático das personagens - uma sociedade de castas, pobreza e injustiça. Contudo, não é o que acontece. O romance realmente ocupa todo o palco principal, e as resoluções para os problemas de background não chegam a ocorrer. Meu problema não foi o triângulo amoroso existir, mas sim o espaço que ele ocupou dentro da série. Não dar espaço para outros fatores no livro senão para criar as situações ideais para o romance acabou empobrecendo a história, que dava a esperança de seguir outros rumos (ou um leque maior de rumos) no primeiro livro. 

Outro problema que tive com o livro foi o final, que pareceu um bocado corrido. Fiquei com vontade de sentar e falar para a autora: "Poxa, Kiera, você teve três livros para resolver os problemas que criou, mas deixou para resolvê-los todos nas últimas páginas?". Não consegui ver muita evolução nos personagens, que passam a série toda proferindo discursos semelhantes, mas mudam, de repente, no final do livro. Alguns finais foram surpreendentes (a ponto de me fazer chorar - aí sim, Kiera!), mas outros, previsíveis - e corridos - demais.

Apesar de tudo, foi a leitura de A Escolha que me lembrou dos motivos pelos quais eu tanto amo ler, mesmo que eu não tenha gostado tanto do livro. Isso porque depois de passar algumas noites lendo madrugada a dentro por obrigação (faculdade), foi libertador perceber que eu estava lendo madrugada a dentro por vontade própria, pura e simplesmente, sem nenhum outro compromisso senão o de chegar ao final da série. É inegável que a história é fluída e simples, tanto no enredo quanto na narrativa, e apesar de todos os parágrafos acima gritarem o contrário, foi prazeroso ler A Escolha - mas por mérito da simplicidade da história e do vínculo que, mesmo desgastado, eu criei com ela, e também do contraste com as leituras que eu havia feito previamente. Digamos que foi uma leitura que chegou na hora certa para mim - a primeira leitura das férias, a que trouxe o alívio, tanto de ler algo familiar (finalmente! Mas que saudade!), quanto de terminar uma série.

Confira as resenhas dos outros livros da série:

      

Editora: Seguinte | Páginas: 352 | ISBN: 9788565765374 | Série: A Seleção | Volume: #3

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