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segunda-feira, julho 14, 2014

Sobre preconceito literário


Alô, pessoal! O post de hoje faz parte de um projeto chamado "Não julgue um livro pelo preconceito", idealizado pela Mareska do Eu li, e agora?. Ela convidou outros seis blogs para participarem do projeto (o Ninhada é um deles, olar), o qual consiste em publicar algo a respeito de qualquer tipo de preconceito literário (ah, são tantos!). Eu escolhi falar a respeito do preconceito contra livros nacionais, com foco nos clássicos e nos juvenis. Para conferir os outros posts lindões da galera que está participando do projeto, basta acessar os links durante esta semana (de 14/07 a 20/07):


A ideia por trás da semana "Não julgue um livro pelo preconceito" é mostrar que não vale a pena julgar um livro se baseando apenas no gênero a que ele pertence, nem julgar uma pessoa pelo que ela lê. Achar um livro uma porcaria é um direito de todo mundo, mas achar que alguém só lê porcaria porque gosta de um gênero que você acha bobagem é preconceito. Queremos que as pessoas saiam da zona de conforto literária e desconstruam/entendam os próprios preconceitos.




Gosto de clima de copa, não posso negar. Acho engraçado o fato de todo o país ter um mesmo compromisso marcado, todo mundo correndo para encontrar com os amigos, família ou só a TV mesmo (e o Twitter) para assistir aos jogos do Brasil. A sensação de ouvir a vizinhança inteira tremendo ao mesmo tempo e gritando gol é sensacional -  para mim, só perde para a torcida que cantou, em coro e a plenos pulmões, eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor nos estádios, contagiando o pessoal que estava acompanhando o jogo pela televisão. Mas se no esporte é comum gritarmos aos quatro ventos que temos orgulho de quem nos representa, não vejo o mesmo ocorrer no âmbito da literatura. O que é absurdamente triste.

Ainda há um preconceito considerável em relação a literatura nacional. Aliás, desde cedo já criamos certa resistência a ela. No colégio, é raro que haja atividades que envolvam a leitura como prazer antes de envolvê-la com outro tipo de atividade, como a análise formal de uma história/texto. E é aí que aparecem as leituras obrigatórias, normalmente clássicos da literatura nacional, os quais lemos (quando lemos) sem vontade, interesse ou atenção. Se não somos estimulados em casa a gostar de ler, no colégio a situação fica ainda pior - se não pegamos certo asco pela leitura em si, o pegamos pelos clássicos nacionais. Claro que isso não é regra, mas também não é exceção, como bem podemos observar nas salas de aula e até mesmo nos comentários que recebo aqui no blog. O problema é que muitos guardam esse trauma para a vida, e há quem esqueça de questioná-lo tempos depois e, ainda, o estenda para todos os âmbitos declarando simplesmente: eu não gosto de literatura nacional. Por quê? Porque é nacional.

O preconceito fica ainda mais intenso quando tratamos de literatura nacional juvenil. Isso porque a literatura juvenil por si só, independente do país de origem, é normalmente taxada como fútil e de péssima qualidade. Há quem acredite que os livros juvenis carecem de um nível supostamente mínimo de complexidade, o que, por sua vez, não lhes dá a capacidade de promover reflexões ou qualquer estímulo ao intelecto. Espero que, como eu, você pense que tudo isso é uma grande besteira, em todos os sentidos (até porque ler por puro prazer também não deveria ser considerado um pecado). Mas foram comentários desse teor que li, por exemplo, quando a revista Veja publicou uma capa que fazia referência ao livro "A Culpa é das Estrelas" do autor John Green. Além de juvenil, o livro é bestseller e virou filme (ou seja, é popular!), o que aparentemente serviu de motivo para que os pseudointelectuais dissessem coisas como: "Esse tipo de literatura emburrece. Os jovens deveriam ler Machado de Assis!". Uma coisa é você não gostar do livro - afinal, existem juvenis ruins? Claro, existem livros ruins. Outra coisa é você dizer que esse tipo de literatura (perceba o quão generalizado é isso), além de não acrescentar nada na vida de alguém, faz exatamente o seu oposto.

Resolvi, então, indicar para vocês alguns livros. Clássicos e contemporâneos, adultos e juvenis - mas todos nacionais. Porque precisamos parar com essa mania de pensar que tudo o que é de fora é melhor, especialmente no âmbito cultural. Não existem argumentos que sustentem essa xenofobia ao avesso, que discrimina a literatura nacional apenas por ser nacional, como se a nossa produção cultural fosse inferior. O problema não é desgostar de um livro, nacional ou estrangeiro - obviamente. O problema é deixar de lê-lo por culpa disso, como se ser nacional fosse uma característica negativa, um porém. E acredito que esse seja um preconceito relativamente fácil de ser abolido: basta que as pessoas percebam o óbvio, ou seja, que nacionalidade e qualidade literária são coisas absolutamente diferentes. Agora, vamos lá! Escolhe abaixo um quadradinho que contenha uma micro-descrição de um livro que você acha que se enquadra no seu gosto, e você será redirecionado para a resenha do respectivo. Vai que você se interessa pelo livro? Pode ser sua próxima leitura :)





segunda-feira, junho 30, 2014

Um filme por semana - Junho


Ok, este post é a prova viva de que meu projeto deu resultado - ao invés de assistir a quatro filmes, acabei assistindo oito. E o melhor de tudo é que eu não me senti obrigada/pressionada a assisti-los! A verdade é que descobri o quão divertido pode ser ir ao cinema, mas escreverei sobre isso mais tarde. Agora quero comentar brevemente a respeito dos filmes do mês, sim!



Filme: Malévola (2014)
Diretor: Robert Stromberg
Sinopse: "Baseado no conto da Bela Adormecida, o filme conta a história de Malévola (Angelina Jolie), a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, esta garota com chifres e asas mantém a paz entre dois reinos diferentes, até se apaixonar pelo garoto Stefan (Sharlto Copley). Os dois iniciam um romance, mas Stefan tem a ambição de se tornar líder do reino vizinho, e abandona Malévola para conquistar seus planos. A garota torna-se uma mulher vingativa e amarga, que decide amaldiçoar a filha recém-nascida de Stefan, Aurora (Elle Fanning). Aos poucos, no entanto, Malévola começa a desenvolver sentimentos de amizade em relação à jovem e pura Aurora."


Comentário: Minha relação com MALÉVOLA foi um tanto contraditória. Ao mesmo tempo em que amei a história, especialmente as alterações feitas em relação à história tradicional da Bela Adormecida, não gostei do aspecto visual do filme e da atuação (salvo a sensacional Angelia Jolie). Eu que já não sou muito fã de efeitos especiais, fiquei particularmente incomodada com a quantidade deles - mas levando em conta que o filme é, a princípio, infantil, o público alvo deve discordar dessa minha opinião! Outro aspecto visual que eu não gostei foi o 3D, absolutamente decepcionante e descartável. Tudo isso colaborou para que o sentimento que prevalecesse ao sair do cinema fosse "eu gostaria de ter lido este filme", sabe? Assim eu teria aproveitado melhor a história (a qual gerou umas reflexões bem legais na internet, tais quais a desse texto) e criado a minha própria versão visual.
sábado, junho 14, 2014

Mudanças no Ninhada


Alô, pessoas! Então, creio que vocês já tenham notado a maioria delas, mas ainda assim quis gravar um vídeo para falar a respeito e "oficializar" as mudanças, sabe?





sexta-feira, junho 13, 2014

Resenha "Princesa Adormecida" de Paula Pimenta


Paula Pimenta é uma romântica incorrigível (The Sims feelings). Qualquer um que já tenha lido algum de seus livros, seja ele qual for, consegue reconhecer essa característica inegável. Pegar um livro de Paula Pimenta é ter a certeza de ler um romance leve, que tem como máxima o clichê "o amor vence tudo". No geral, isso está longe de ser um defeito, apesar de eu não gostar muito, mas creio que em Princesa Adormecida esse teor romântico tenha ultrapassado os limites do que eu normalmente consigo ler. 

Áurea Roseanna Bellora, aos nove meses, sofreu uma tentativa de sequestro. A criminosa é Marie Malleville, antiga amiga do pai de Áurea, que não conseguiu superar perdê-lo, seu grande amor. Frustrada, Malleville declarou que não deixaria a pequena em paz - ou ela teria de "viver enclausurada (...) até se tornar adulta, ou morrer jovem", pelas suas mãos. Por isso, os pais de Áurea forjaram a sua morte e a enviaram para morar com três tios, os quais passaram a ter uma posição extremamente protetora em relação a Áurea. Mesmo assim, ela consegue conhecer seu príncipe - por telefone. Uma mensagem aleatória escrita em francês inicia um diálogo com um estranho garoto, o qual diz querer saber mais a respeito de Áurea. "Eu adoraria te conhecer. Pela foto, você parece muito bonita", foi uma das primeiras mensagens que Phil a enviou. Algumas (poucas) mensagens (piegas) depois, já estão apaixonados. Simples assim. 

Tal como sugere o nome, Princesa Adormecida é (ou deveria ser) um remake moderno do conto A Bela Adormecida. Mas não consegui enxergar modernidade na história além do ambiente e dos meios utilizados para narrá-la - celulares, computadores, enfim, tecnologia. Isso porque a história caminha com a mesma ingenuidade daquela que se passa no século XIX. Uma ingenuidade tão incrível e não condizente com os dias de hoje que torna a história implausível.


Sinceramente, muito me incomodou em Princesa Adormecida, começando pelos personagens. A protagonista, Áurea, não é nem um pouco questionadora, apesar de toda a sua vida ser uma incógnita. A postura extremamente protetora dos tios, a ignorância em relação ao que teria acontecido com seus pais - os mistérios são bem significativos, mas a protagonista simplesmente não questiona, apenas aceita (ou quando o faz, pára no primeiro "não vamos falar sobre" que recebe). Quanto ao mocinho, pouquíssimo é falado a seu respeito, tanto que mal tive tempo de conhecer o garoto, quem dirá me apegar minimamente ao personagem. E a vilã? Aparece cerca de duas vezes, uma no início, outra no final, mas supostamente é uma ameaça à espreita durante o livro inteiro. Fiquei com a impressão, então, de que tanto os personagens quanto a história em si é bastante rasa - o leitor não precisa fazer esforço algum para tentar compreender qualquer detalhe do enredo. É como se o leitor fosse subestimado. Creio que as 180 páginas do livro poderiam muito bem ter sido condensadas em um conto menor, pois dessa forma, a falta de detalhes poderia ser justificada e realmente adaptada para uma história mais concisa. 

A leitura foi rápida, mas motivada pela minha descrença. A cada página eu ficava mais incrédula com as situações criadas e com o comportamento dos personagens, que pareciam todos apoiar essa paixão completamente aleatória de Áurea. Uma psicóloga chegou a aconselhá-la a seguir em frente, marcar um encontro com o garoto desconhecido, mesmo que seus tios não lhe dessem permissão (algo completamente aceitável dadas as circunstâncias, não?) - afinal, o amor é o que importa e ela não poderia deixar essa oportunidade passar, porque "o moço pode, sim, desistir de esperar". Mesmo que o moço em questão fosse um cara o qual Áurea jamais viu e que conheceu por meio de uma mensagem enviada de um número desconhecido. Como vocês podem perceber, eu não consegui aceitar esse início de romance (nem o restante da história, sinceramente). Toda a ingenuidade que permeia o enredo tirou o potencial de trazê-lo próximo àquilo que eu consideraria a história de uma princesa moderna - a qual, aliás, pode buscar um amor, mas não necessariamente depender dele para ser feliz, como parece sugerir a história. Eu sei, apesar de moderno, a ideia continua sendo a de um conto de fadas. Mas ainda assim, fiquei decepcionada, porque esperava um conto de fadas com o qual eu conseguisse me identificar (a protagonista tem 16 e eu apenas 18!), uma história mais plausível, com um pezinho na realidade que me fizesse pensar, realmente, como seria a Bela Adormecida no século XXI. :(

Editora: Galera Record | Páginas: 180 | ISBN: 9788501034205 

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quarta-feira, junho 11, 2014

Resenha "A Escolha" de Kiera Cass


É o fim da Seleção. O reality show que contava com trinta e cinco garotas disputando pelo coração (e pela coroa) do príncipe Maxon Schreave agora conta com apenas quatro - e uma delas é America Singer. Apesar de ambos nutrirem sentimentos muito fortes um pelo outro, as palavras não proferidas pairam no ar e incitam a incerteza. Em suma, o mesmo drama que começou na metade do primeiro livro, A Seleção, é mantido até as últimas páginas do último, A Escolha, um dos fatores que fez com que eu terminasse a leitura, de certa forma, decepcionada. 

Comecei a ler a série A Seleção em novembro de 2012. Logo, faz mais de um ano que venho acompanhando America, Maxon e Aspen - o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque ao ler A Escolha, tive aquela sensação de estar voltando para um lugar conhecido, familiar. Pela primeira vez eu reparei que tinha todos os personagens e todo o ambiente da série montados com precisão na minha mente. Eu não havia reparado nisso até ler A Escolha, até perceber como o quarto de America, por exemplo, soava quase como um lugar real, porque a sensação era a de que eu já estivera lá e agora estava voltando. 

Mas esse período de quase um ano e meio entre a leitura do primeiro e do último volume também foi algo ruim. Isso porque a minha relação com as personagens e com a própria história, foi desgastada pelo tempo. Se eu tivesse lido a trilogia de uma só vez, provavelmente teria gostado mais do que como fiz, lendo em partes. Isso porque os três livros se completam como um só. Aliás, temo dizer que a série até ficaria melhor com somente dois livros.



No início da trilogia, imaginei que o triângulo amoroso seria apenas um dos componentes da história, não o principal. Apesar de o segundo livro da série, A Elite, deixar bem claro o peso do triângulo amoroso, eu ainda tinha esperanças de que alguma reviravolta resolvesse esse âmbito e abrisse espaço para os conflitos que englobam o mundo distópico e problemático das personagens - uma sociedade de castas, pobreza e injustiça. Contudo, não é o que acontece. O romance realmente ocupa todo o palco principal, e as resoluções para os problemas de background não chegam a ocorrer. Meu problema não foi o triângulo amoroso existir, mas sim o espaço que ele ocupou dentro da série. Não dar espaço para outros fatores no livro senão para criar as situações ideais para o romance acabou empobrecendo a história, que dava a esperança de seguir outros rumos (ou um leque maior de rumos) no primeiro livro. 

Outro problema que tive com o livro foi o final, que pareceu um bocado corrido. Fiquei com vontade de sentar e falar para a autora: "Poxa, Kiera, você teve três livros para resolver os problemas que criou, mas deixou para resolvê-los todos nas últimas páginas?". Não consegui ver muita evolução nos personagens, que passam a série toda proferindo discursos semelhantes, mas mudam, de repente, no final do livro. Alguns finais foram surpreendentes (a ponto de me fazer chorar - aí sim, Kiera!), mas outros, previsíveis - e corridos - demais.

Apesar de tudo, foi a leitura de A Escolha que me lembrou dos motivos pelos quais eu tanto amo ler, mesmo que eu não tenha gostado tanto do livro. Isso porque depois de passar algumas noites lendo madrugada a dentro por obrigação (faculdade), foi libertador perceber que eu estava lendo madrugada a dentro por vontade própria, pura e simplesmente, sem nenhum outro compromisso senão o de chegar ao final da série. É inegável que a história é fluída e simples, tanto no enredo quanto na narrativa, e apesar de todos os parágrafos acima gritarem o contrário, foi prazeroso ler A Escolha - mas por mérito da simplicidade da história e do vínculo que, mesmo desgastado, eu criei com ela, e também do contraste com as leituras que eu havia feito previamente. Digamos que foi uma leitura que chegou na hora certa para mim - a primeira leitura das férias, a que trouxe o alívio, tanto de ler algo familiar (finalmente! Mas que saudade!), quanto de terminar uma série.

Confira as resenhas dos outros livros da série:

      

Editora: Seguinte | Páginas: 352 | ISBN: 9788565765374 | Série: A Seleção | Volume: #3

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sábado, maio 31, 2014

Um filme por semana - Maio


E aqui estou eu, seguindo firme e forte no desafio de assistir a um filme por semana. Eu achei que demoraria muito mais tempo, mas já comecei a pegar gosto pelo cinema. Mas também, com os filmes que vi este mês, não gostar não era uma opção sequer considerável. Apenas. 


Vos apresento o mais novo integrante da minha lista de filmes favoritos (aliás, tenho eu uma lista de filmes favoritos?): A Vida é Bela (1997), mais um empréstimo que fiz de minha amiga Heloisa (merci, Helô ). Quem acompanha o blog sabe que eu não consigo não me conectar intensamente a livros que se passam durante a Segunda Guerra Mundial ("O Diário de Anne Frank" é um dos meus livros favoritos), então quando vi que A Vida é Bela se passava próximo a este período, já senti que o filme iria me marcar. Mas eu não esperava me surpreender tanto! O filme começa como uma comédia romântica entre uma professora italiana, Dora, e Guido, um judeu recém chegado na cidade. Desse romance nasce Gisué, que aos 5 anos de idade se viu deportado junto ao seu pai para um campo de concentração. A partir desse ponto, Guido cria toda uma história para Gisué: eles estariam fazendo uma viagem, na qual haveria um jogo - a cada tarefa feita (esconder-se o tempo todo, não reclamar de fome, ficar em silêncio etc) pontos seriam somados. Quem fizesse mil pontos ganharia um tanque de guerra de verdade, sonho do pequeno Gisué. A história é maravilhosa. Guido é um dos personagens mais cativantes dentre os quais tive o prazer de conhecer. Seu bom-humor, persistência, paciência e amor inesgotável pelo filho me comoveram além do esperado. Não é a toa que o ator, (e também diretor do filme!) Roberto Benigni, ganhou o Oscar de melhor ator em 1999. Ah, eu estou apaixonada por este filme. BUONGIORNO PRINCIPESSA! 




O segundo filme que vi em maio é francês, e quem me emprestou foi a Xu, uma das pessoas mais sensacionais que alguém poderia conhecer. Em Intocáveis (2001), Philippe, um milionário tetraplégico, está em busca de um assistente, alguém que irá morar em sua casa e ficar a sua disposição a todo momento. Na entrevista de emprego aparece Driss, um jovem pobre que não tem a menor experiência no ramo e só quer uma assinatura para comprovar que compareceu à entrevista de emprego - dessa forma ele poderá retirar seu auxílio desemprego. Mas Philippe vê no rapaz algo que não viu em nenhum outro candidato - ousadia, além de falta de compaixão. Enquanto os outros o tratavam como um inválido, Driss o tratou como uma pessoa qualquer e, por este motivo, é contratado. A partir deste mote surge uma grande amizade - e um filme engraçado, porém igualmente dramático (assim se explica o gênero "comédia dramática", oh). Nessa questão ele me lembrou um pouco o filme que eu havia visto antes, "A Vida é Bela", porque ambos conseguem fazer humor em circunstâncias que, a princípio, não são esperadas. Mais ri do que chorei, por vezes fiquei irritada, mas não posso negar que o filme me emocionou. Agora deixa eu fazer um comentário um tanto inútil? O que é o sorriso do François Cluzet, minha gente? Sério ♥.




Pasmem, mas "X-men, dias de um futuro esquecido (2014)" foi o primeiro filme de super herói o qual eu assisti (minhas amigas tentaram me fazer assistir Thor, porém eu acabei dormindo). E se todos os filmes de super herói seguirem mais ou menos a dinâmica deste, creio que nem valha a pena eu continuar tentando assistir, porque, é, eu não gostei. Acredito que o fato de eu ser a espectadora mais leiga tenha contato muito para isso - jamais li os quadrinhos e não conhecia os personagens (exceto Wolverine), então o filme perdeu muito do seu apelo. Demorei um bocado para me situar na história, achei tudo muito corrido, ação, ação, ação, mas um enredo que, ao meu ver, não foi envolvente. Os únicos personagens os quais eu gostei de verdade foram a Mística (a qual está divando na foto acima) e o Professor. De resto... Só valeu a companhia!





"2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (1968)" FOI O MELHOR FILME QUE EU JÁ VI ATÉ AGORA. Eu não me recordo de jamais ter saído do cinema com os olhos tão abertos e a cabeça tão completamente cheia de ideias malucas - não porque o filme apenas transmite ideias malucas, ele instiga você a ter ideias malucas. Dessa vez eu posso dizer que perdi o medo de cinema: quem diria que eu iria amar tanto um filme tão longo? Fora o tempo que você leva para processar o filme, refletir a respeito dele e, de preferência, discuti-lo. Felizmente fui ao cinema com a melhor companhia de todos os tempos (aka Xu), a qual ficou conversando comigo por algumas horinhas. Lá estávamos nós tentando juntar as impressões (e teorias?) pessoais de cada uma com a finalidade de dar um sentido completo ao filme. "Então, garotas, esse foi o primeiro ácido da vida de vocês", disse nosso ex-professor de História ao nos encontrar ao final do filme. MAS QUE VIAGEM!
O filme, a princípio, gira em torno de uma estranha placa (monolito) extra-terrestre (UH!). Ela primeiramente aparece na Terra, depois na Lua, depois em Júpiter. Quando em Júpiter, astronautas são escalados para estudar o monolito - e fazem a viagem numa nave controlada por HAL 9000, um computador ultra-inteligente que, inclusive, demonstra ter sentimentos. A partir dessa linha, o filme fala sobre a evolução do homem, sobre a tecnologia... Sabe aquele medo que dá dessas máquinas super inteligentes? Então.
Praticamente sem diálogos, o filme é incrivelmente sensorial. Cada mísero som faz parte da experiência - assim como cada momento no qual o som é ausente. Absolutamente todos os detalhes se completam de modo a obrigar você a fazer uma imersão no filme - a busca pelo sentido somado ao sentimento de estranhamento e admiração por uma produção tão extraordinária (no sentido literal da palavra) impediram que eu desviasse a minha atenção, ou melhor, impediram que eu não passasse boa parte do filme me questionando e interagindo com o filme mentalmente. Aliás, é engraçado, porque apesar de quase não haver diálogos, eles basicamente foram meramente (uh) transpostos para outro campo: a cabeça do espectador, que entra em parafuso tentando compreender todas as cenas. Só preciso dizer que o filme é incrível. Depois de consumir tantos filmes fáceis, o desafio que o "2001 - Uma Odisséia no Espaço" impõe é muito bem-vindo! Agora alguém me explica como um filme de 1968 possui efeitos especiais TÃO INCRÍVEIS, melhores até do que os de alguns filmes atuais. Eu estou impressionada, apaixonada, e louca para indicar para você. Logo, ASSISTA!


E você, já viu algum dos filmes acima citados? ;)



terça-feira, maio 20, 2014

Resenha "A História do Mundo em 100 Objetos" de Neil MacGregor


Quando viajo, dificilmente deixo de visitar o museu local - acredito que grande parte das pessoas sente essa necessidade, a de conhecer objetos históricos. Vejo os museus como máquinas do tempo nas quais vestígios nos conectam ao passado e, claro, dão margem a imaginação de quem os observa: impossível não se questionar a respeito de tudo o que aquele objeto já presenciou. Mas também é verdade que jamais tive paciência para ler todas as explicações das peças que soavam interessantes - e às vezes, mesmo que as lesse, sempre eram muito breves, e quando não complementadas pelo guia, ficava por isso mesmo - eu e a minha imaginação, divagando. "A História do Mundo em 100 Objetos" é como fazer uma viagem guiada ao British Museum - mas diferente de uma viagem guiada, você realmente consegue prestar atenção em tudo o que o guia diz.


O livro na verdade derivou de um seriado radiofônico da BBC, transmitido em 2010, com o mesmo título. O autor não considerou como uma perda o fato de que os ouvintes teriam que usar a imaginação para ver os objetos - apenas a princípio, pois suas imagens estavam disponíveis no site da BBC. Gosto muito dessa ideia do rádio, porque o considero o meio formal que mais consegue aproximar quem faz o programa de quem o escuta. Ainda assim, creio que a versão impressa, ricamente ilustrada, nos deixa um pouco mais próximos do museu. Todos os objetos possuem ao menos uma fotografia, além de uma explicação que abrange vários aspectos: o físico (do que o objeto é feito? Como ele foi feito?), sua importância cultural, o contexto de sua criação, entre outros. Muitas vezes o autor, inclusive, conversa conosco, relatando o porquê de ter feito tal escolha, além de comentar a respeito de outros objetos que foram cogitados para ocupar tal lugar. Essa proximidade deixou a leitura mais fácil, menos formal, e creio que seja uma marca deixada pela versão radiofônica. 

O próprio autor reconhece que é impossível tentar contar a história do mundo em 100 objetos - mas achei válida a sua tentativa, especialmente porque MacGragor tentou incluir objetos das mais variadas partes do mundo. Há no final do livro, inclusive, um mapa, no qual você pode observar com mais facilidade de onde veio cada objeto. De um modo geral, gostei da escolha dos objetos, mas admito que a maioria não consistia em objetos os quais eu, caso eu estivesse andando pelo museu, daria muita atenção (uma "mão de pilão em formato de pássaro", por exemplo, com certeza passaria batido para mim). Tal qual uma visita ao museu, gostei da experiência, porém não consegui ficar por muito tempo - fiz a leitura com várias pausas, tendo como meta ler sobre um objeto por dia.

Editora: Intrínseca
Páginas: 784
ISBN: 9788580574418